sexta-feira, 16 de agosto de 2013

O Monstro

O monstro dormirá hoje todo o dia.
Hoje não será dia de excessos, não será dia de pânico
ontem incendiámos o cubículo e sentá-mo-nos enquanto as chamas consumiam cimento, tintas e carne.
De sorrisos largos fizemos elaborados poemas de dor e desespero com silvos e sangue
no fim, quando apenas dor e negro se podiam distinguir, enterrá-mo-nos e dormimos ali.
Hoje, só eu voltei... não encontro senão o sossego.
Cruzo a perna, acendo o cigarro e absorvo todo o cinza das nuvens como conforto da alma seca que agora respira.
Cuspo terra e fumo no vento forte, aguardo, sem grande força, o regresso do Tirano.
Retirado sob os escombros, sonha novas revoluções de braços erguidos e asas negras reflectindo a noite escura em que nasceu.
A sua sombra cobrirá a cidade.
Eu serei o seu capitão, a fúria enraizada no solo, que comanda forças e demónios depravados que compelidos no ódio, penetrarão a pureza destilada que os outros usam como máscara,
lançando no caos esta realidade onde apenas por infortúnio surgiu, do ventre de uma mente perversa,o monstro.
E assim passarão os meus dias, sem culpa ou remorso, desprovidos de qualquer emoção...


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