Tenho
as mãos secas e sós como um tronco morto no deserto.
Tacteando
por entre folhas de papel e os lápis das mais diversas cores,
procuro a Inspiração...
há
semanas senti-a sumir-se na noite e questiono-me se voltará, se
quererá voltar a ver-me, se me voltará a fazer sentir.
O
meu olhar sobre a folha branca esconde a vontade de a dilacerar, mas
jamais o meu ser, apaziguado pela terna melancolia, será capaz de
realmente o fazer.
Tenho
a sua imagem retida na memória, de costas voltadas, ainda se detém
um momento e resiste à tentação de se voltar, parte! Desaparece no
infinito da escuridão circundante... Fica uma suave brisa que me
embala os cabelos enquanto planto os pés na areia em brasa - temo
não a voltar a ver.
Não
consigo trazer-me de volta deste maldito deserto para onde me lancei.
Sei
que pode não ter sido a melhor ideia encerrar a minha alma na
armadura, de que estava certo, me iria assegurar a sua protecção,
no entanto, eu é que pareço ter perdido a chave...o acesso ao meu
interior...Não sinto sequer a vontade, que imaginei inerente, de me
evadir.
Fogem-me
as palavras e abandonam-me as ideias. mas não largarei a caneta,
secarei até ao pó, neste sol ensanguentado, antes de o fazer.
Reconheço
que não levará muito tempo e desanima-me, a cada noite, ouvir o meu
buraco abrir-se no solo mesmo a meu lado, onde planeei...
As
horas sucedem-se, tudo se vai mutando em redor. E eu... continuo
aqui, plantado, aguardo, subsisto.
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